Pesquisa do instituto Datafolha divulgada nesta segunda-feira (27) indica que a maioria dos eleitores brasileiros interpreta o tarifaço de 37,5% imposto pelos Estados Unidos ao Brasil como um gesto de apoio político do presidente norte-americano, Donald Trump, ao senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República.
Segundo o levantamento, 52% dos entrevistados acreditam que as tarifas aplicadas às exportações brasileiras têm o objetivo de favorecer eleitoralmente o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em sentido contrário, 37% discordam dessa interpretação, enquanto 11% afirmaram não saber ou preferiram não opinar.
A percepção sobre a motivação das tarifas varia significativamente conforme a preferência política dos entrevistados. Entre os eleitores que declaram apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 73% consideram que a sobretaxa possui finalidade eleitoral.
Já entre os simpatizantes de Flávio Bolsonaro, apenas 29% compartilham dessa avaliação, demonstrando uma divisão expressiva na interpretação do episódio entre diferentes segmentos do eleitorado.
Realizada entre os dias 22 e 23 de julho, a pesquisa ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em diversas regiões do país. O levantamento apresenta margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%.
A escalada do protecionismo norte-americano começou na última quarta-feira (22/7), quando entrou em vigor uma tarifa inicial de 25% sobre produtos brasileiros. O governo dos Estados Unidos justificou a medida alegando a existência de “práticas desleais” de mercado que estariam prejudicando a competitividade de empresas e exportadores norte-americanos.
Em resposta ao anúncio, o governo brasileiro divulgou uma nota de repúdio, prometeu adotar medidas de reciprocidade e contestou as declarações do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. O Palácio do Planalto classificou a decisão como um “enredo construído com a ativa colaboração da família Bolsonaro”.
No dia seguinte (23/7), os Estados Unidos anunciaram uma tarifa adicional de 12,5%, elevando a sobretaxa total para 37,5%. A nova cobrança entrou em vigor na sexta-feira (24/7) e foi justificada pela acusação de que o Brasil não estaria combatendo de forma adequada o trabalho forçado em suas cadeias produtivas.
A relação entre Flávio Bolsonaro e o tema ganhou destaque em junho, quando o senador publicou uma foto ao lado de Donald Trump após uma reunião na Casa Branca. Na mesma data, os Estados Unidos anunciaram a proposta de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.
Inicialmente, Flávio defendeu que a entrada em vigor das tarifas fosse adiada para depois das eleições brasileiras, argumentando que a medida poderia beneficiar eleitoralmente o presidente Lula. Posteriormente, o senador afirmou que passou a defender o cancelamento da sobretaxa. “Quem quer a tarifa é o Lula, então a gente tem que usar os argumentos políticos aqui. [Quero] cancelamento, eu não quero tarifa para o Brasil. Só quem quer tarifa é o Lula”, declarou.
Quando as tarifas começaram a ser aplicadas, Flávio Bolsonaro também compartilhou uma publicação do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, que atribuía ao presidente Lula a responsabilidade pela medida. Ao comentar o episódio, o senador afirmou: “Estamos em um avião sem piloto”.


