Agora ao lado do ex-prefeito de Maceió João Henrique Caldas, parece que o PSDB segue com sua linha de vitimismo na política alagoana. Explico. Bastou um simples vídeo do senador Renan Filho com críticas à gestão tucana em Alagoas para que o partido viesse a público choramingar pelos “ataques” que recebeu. Ataques?! O ex-ministro dos Transportes citou dados reais sobre o governo de Téo Vilela entre 2007 e 2015.
Sim, como afirma o senador, infelizmente os anos da gestão tucana foram um desastre na segurança pública. Alagoas ganhou o título de estado mais violento do país. Maceió era a capital mais perigosa para jovens negros. Não é acusação gratuita, é informação oficial do Ministério da Justiça. Pesquisem. Alguns cliques, e está tudo disponível.
Fui conferir o vídeo de Renan Filho para confirmar o “furioso ataque” desferido contra Téo Vilela. O pré-candidato ao governo cita os graves problemas na área de saúde e de infraestrutura nos dois governos tucanos. Fala ainda da falta de investimentos e, como já mencionei, do colapso na segurança. Tudo isso é apenas a verdade dos fatos.
É um vídeo curto, dentro de um carro, de madrugada. Não há termos ofensivos ou qualquer acusação de alguma conduta ilegal de Téo Vilela. Falo sobre o que está na gravação de Renan Filho. Em nome do bom jornalismo, é preciso ressaltar: não existe nem sombra de “ataques” à figura do homem público. Há uma crítica política.
Lá no primeiro parágrafo falei do vitimismo tucano em Alagoas. Amplio a explicação. Jornalismo também é memória. Nos oito anos como governador, sempre que era criticado, sempre que era cobrado por uma promessa de campanha não cumprida, Téo Vilela, com auxílio de porta-vozes, apontava os “ataques” dos alagoanos do mal.
O chororô sem razão sobre as palavras de Renan Filho me fez lembrar dessa “tradição” tucana por essas bandas. Naturalmente se trata de antiquíssima estratégia de luta política. Acuse o outro pelos delitos que você comete. Ou, em outras palavras, tome a carteira da vítima e saia gritando “pega o ladrão”. Está na cartilha de marqueteiros.
Em suas campanhas para a prefeitura de Maceió, JHC recorreu a método semelhante. Os adversários operavam um Gabinete do Ódio contra o jovem da “nova política”. Em resposta, João Henrique mandava flores aos rivais por meio de seu Gabinete do Amor. Pelo visto, o Tucanato-AL encontrou um parceiro para enfrentar os alagoanos do mal.
Não há santo no universo dos personagens deste artigo. Sim, campanha eleitoral tem debate, bate-boca, insultos e acusações graves contra inimigo. Mas vamos ao menos esperar que o ataque de verdade ocorra – para que possamos chamar de… ataque.
Fonte: Blog do Celio Gomes


