A Meta, empresa responsável pelo Facebook, Instagram e WhatsApp, veiculou ao menos 1.613 anúncios políticos irregulares no Brasil entre julho e setembro de 2026, segundo levantamento do NetLab, laboratório da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). As publicações movimentaram cerca de R$ 2 milhões e alcançaram 171,1 milhões de impressões.
De acordo com a pesquisa, os anúncios foram impulsionados por 187 anunciantes, principalmente por páginas sem identificação clara e com pagamentos provenientes do exterior. Entre as campanhas que informaram a localização do pagador, 98,1% tinham origem nos Estados Unidos. Quase todos os anúncios foram pagos em dólares.
O levantamento identificou possíveis violações da legislação eleitoral, como propaganda financiada por fontes estrangeiras, anúncios negativos contra candidatos e publicações sem identificação de propaganda eleitoral ou da fonte pagadora. As regras brasileiras restringem o impulsionamento de conteúdo político a candidatos, partidos, federações e coligações, além de proibir o financiamento eleitoral estrangeiro.
O valor gasto com os anúncios seria suficiente para colocar esse conjunto de campanhas entre os maiores investidores em publicidade política nas plataformas da Meta no período. Para comparação, Fernando Haddad (PT) gastou R$ 2,4 milhões, enquanto Lula (PT) investiu R$ 9,4 milhões e Flávio Bolsonaro (PL), R$ 6,8 milhões. Os pesquisadores alertam que o número de anúncios irregulares pode ser maior do que o identificado.


