Levantamento do PoderData/Aya, divulgado nesta segunda-feira (19), aponta uma mudança nas intenções de voto para a Presidência da República. Em três dias, o senador Flávio Bolsonaro (PL) avançou e passou a registrar 52% dos votos válidos, contra 48% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Realizada entre 16 e 18 de outubro, a pesquisa ouviu 3.000 pessoas e apresenta margem de erro de 1,8 ponto percentual. O resultado mostra uma diferença de quatro pontos entre os candidatos. Parte das entrevistas ocorreu após a repercussão da entrevista concedida por Roberta Luchsinger à CNN, na noite de sábado (17.out.2026), na qual ela fez críticas a Lula.
O cenário atual contrasta com o movimento observado nos levantamentos anteriores. Após o primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio havia começado a disputa desta fase da campanha com seis pontos percentuais de vantagem. Posteriormente, Lula recuperou terreno e alcançou um empate de 50% para cada candidato. Agora, o senador volta a aparecer numericamente à frente na corrida pelo Palácio do Planalto.
Na votação do primeiro turno, Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula alcançou 45,16%. Na ocasião, a diferença entre os dois foi de 1,87 ponto percentual, resultado que manteve a disputa aberta para a etapa decisiva.
Durante a semana passada, aliados de Lula demonstravam confiança na recuperação do presidente nas pesquisas. A redução da vantagem de Flávio, que chegou a seis pontos, até o empate indicava uma mudança favorável ao petista. Entretanto, o novo levantamento sugere que o senador voltou a ganhar espaço entre os eleitores.
Nas ruas, Flávio intensificou sua presença em eventos políticos e reuniu apoiadores em Vitória (ES), Salvador (BA) e na Avenida Paulista, em São Paulo (SP). Paralelamente, sua campanha ampliou o tom das críticas a Lula nas propagandas veiculadas na televisão, no rádio e na internet.
A movimentação do PL ocorreu após uma semana marcada por ações de mobilização digital ligadas à campanha petista. Entre os temas que circularam estavam propostas relacionadas a pagamentos via Pix de R$ 5.000 para microempreendedores individuais (MEIs), ao fim da escala de trabalho 6×1 e à oferta de transporte público gratuito aos fins de semana em todo o país. Mesmo diante dessas iniciativas, o campo da direita manteve sua capacidade de mobilização política.
Por sua vez, Lula também participou de manifestações com grande presença de público e continuou contando com ações nas redes sociais promovidas por jovens parlamentares e artistas. Apesar da mobilização, o presidente voltou a aparecer numericamente atrás de Flávio no levantamento mais recente.
As manifestações de rua, contudo, não necessariamente se traduzem em mudanças nas intenções de voto. Uma parcela expressiva dos participantes desses atos pode já estar alinhada aos candidatos. Nesse contexto, os eventos funcionam como instrumentos para mobilizar apoiadores, fortalecer a militância e ampliar a exposição das campanhas nas redes sociais.
Outro elemento que ganhou destaque nos últimos dias foi a entrevista de Roberta Luchsinger à CNN, exibida no sábado (17.out.2026). Durante a conversa, ela afirmou que Lula teria conhecimento da relação entre ela e Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente. Luchsinger também fez comentários sobre a lucidez do petista. As declarações, que não foram comprovadas no material apresentado, repercutiram nas redes sociais e voltaram a colocar o tema da corrupção no centro do debate político.
Embora a entrevista tenha provocado ampla repercussão, não é possível afirmar que ela tenha sido a causa direta da mudança nas intenções de voto. A proximidade entre os acontecimentos e o período de realização da pesquisa permite considerar essa hipótese, mas não comprova uma relação de causa e efeito.
Dados da Bites, empresa especializada no monitoramento da internet, indicaram a circulação de trechos da entrevista em diferentes canais do YouTube. Até as 19h, conteúdos relacionados à CNN haviam acumulado 2,4 milhões de visualizações. Além disso, foram identificadas 438 publicações reproduzindo partes das declarações de Luchsinger.
Nas redes sociais, entre as 5,8 milhões de menções a Lula registradas desde sábado, 12% faziam referência à lobista, à CNN ou a Lulinha. Os números demonstram a dimensão da repercussão digital do episódio, embora não permitam concluir que todas essas manifestações representem mudança de opinião ou intenção de voto.
Além das intenções de voto, o levantamento registrou aumento da rejeição a Lula, que chegou a 48%, enquanto a desaprovação de seu desempenho alcançou 50%. Esses indicadores ajudam a contextualizar o momento político do presidente, mas devem ser analisados separadamente das estimativas de votos válidos.
A disputa presidencial, portanto, permanece aberta e sujeita a novas oscilações. Embora Flávio Bolsonaro tenha recuperado a vantagem numérica apontada pela pesquisa, os resultados representam apenas o cenário observado durante o período das entrevistas. Com menos de uma semana até a votação prevista para 25 de outubro, qualquer previsão definitiva sobre o resultado das urnas seria prematura.


