A Polícia Civil de Alagoas (PCAL) instaurou nesta quinta-feira, 29, um inquérito policial para apurar as circunstâncias e a responsabilidade pela gravação e divulgação de um vídeo gravado em uma área de mata no bairro de Fernão Velho, na capital alagoana.
As gravações, que viralizaram em grupos de mensagens e redes sociais, mostram um homem acompanhado de uma menina de pouca idade no momento em que ambos são abordados de forma ostensiva por terceiros no local.
Dinâmica das imagens divulgadas
O responsável pela filmagem caminha por uma trilha fechada afirmando que vai “armar armadilha para passarinho” e, ao avistar as vítimas, passa a interpelar o pai com tom de desconfiança: “Tu tá fazendo o que com essa criança?” e “Essa criança é de quem?”;
O pai, vestindo camisa verde e portando o celular, mantém a calma diante da situação constrangedora, responde prontamente que a garota é sua filha e passa a procurar imagens no aparelho para comprovar a relação familiar;
Ao ser questionada diretamente pelo abordador se o homem havia feito algo com ela (“Ele fez alguma coisa com você, neném?”), a menina responde categoricamente “Não”. Em seguida, ao ser perguntada sobre quem era ele (“É quem ele?”), a garota afirma com clareza: “É meu pai”;
Após a confirmação da própria criança, o autor do vídeo tenta se justificar dizendo que “é estranho uma criança com um rapaz na mata” e que “as coisas hoje em dia não é brincadeira não”. Ainda assim o vídeo foi publicado nas redes sociais.
“Isso pode destruir a vida dele”, desabafa esposa
A repercussão do vídeo gravado motivou um desabafo emocionado das esposa do homem abordado. Visivelmente constrangidos e revoltados com a situação, a mãe da criança e o pai — proprietários de uma pizzaria na região — vieram a público para esclarecer que o homem estava acompanhado de sua própria filha de 9 anos durante um passeio rotineiro.
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Durante o pronunciamento em vídeo, gravado pelo próprio casal ao lado da menina, a mãe relata indignação com a velocidade com que o conteúdo falso se espalhou em grupos de mensagens, colocando em risco a reputação e a segurança do marido:
“A gente tem a pizzaria já tem oito anos. Quem conhece a gente sabe, e ele também trabalha de aplicativo, isso pode prejudicar ele até ele rodando. Aconteceu alguma coisa com ele a gente sem saber… Eu não sabia, já vim as pessoas mandando esse vídeo. Tô aqui desesperada, agora vou ter que fechar, que eu tava aqui trabalhando, para poder ir na delegacia para resolver isso, porque o povo agora pensa que internet se resolve tudo. Internet não se resolve tudo, não!”, desabafou a mãe.
A empresária reforçou que, caso houvesse qualquer dúvida legítima por parte de populares, o procedimento correto seria acionar imediatamente as autoridades policiais, e não expor a imagem de um trabalhador e de uma criança de forma irresponsável:
“Se tem uma dúvida, chega lá, chama a polícia e deixa para resolver. Não é estar gravando vídeo para pegar e estar prejudicando o povo sem saber realmente o que está acontecendo.”
Busca por reparação e medidas legais
O pai, visivelmente abalado ao lado da esposa e da filha, reiterou que tentou provar o parentesco no momento da abordagem exibindo fotos e registros no próprio celular, mas ainda assim o material foi veiculado de maneira maldosa.
A família confirmou que compareceu à delegacia especializada para registrar um Boletim de Ocorrência (BO) formal, exigindo a retratação e a remoção das publicações que ameaçam a segurança e a honra dos envolvidos.
Diligências e alerta sobre compartilhamento de dados
A equipe policial conduz as investigações para identificar e localizar as pessoas que realizaram as filmagens e disseminaram o conteúdo. Após a qualificação dos envolvidos, todos serão intimados a prestar esclarecimentos na delegacia responsável para a adoção das medidas legais cabíveis.
A PCAL aproveitou o episódio para alertar a população sobre os riscos do compartilhamento irresponsável de vídeos e dados não checados na internet, sobretudo quando envolvem menores de idade e contextos que geram pré-julgamentos e sérios danos à imagem de cidadãos.


