O empresário e estrategista político Jason Miller, considerado um dos principais conselheiros do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, utilizou suas redes sociais para provocar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. A publicação compartilhava uma reportagem da imprensa internacional especializada em cobertura da América Latina.
A mensagem divulgada por Miller fazia referência a conversas enviadas ao ministro pelo banqueiro Daniel Vorcaro, responsável pelo Banco Master, no dia em que ele foi preso, em novembro de 2025. Ao comentar a notícia, o conselheiro escreveu “Tick-tock, Xandão”, expressão que simula uma contagem regressiva.
No Brasil, a frase “tick-tock” passou a ser utilizada em debates políticos para provocar adversários que estariam sob risco de investigação ou operação da Polícia Federal (PF). O uso da expressão já apareceu tanto em discursos de apoiadores do governo quanto de integrantes da oposição.
A reportagem citada por Miller foi publicada pelo portal The Rio Times na sexta-feira (6 de março). O texto afirma que as mensagens enviadas por Vorcaro ao ministro levantam questionamentos sobre a natureza da relação entre os dois. O banqueiro havia sido preso dois dias antes, em 4 de março, em uma investigação da Polícia Federal sobre fraudes financeiras.
Nas mensagens mencionadas na reportagem, enviadas na manhã de 17 de novembro, Vorcaro afirma ter feito movimentações para tentar evitar problemas. “Fiz uma correria aqui para tentar salvar. Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”, escreveu ele ao ministro. Moraes respondeu em seguida, mas o conteúdo dessa resposta não foi recuperado.
O título da reportagem — “Escândalo do Banco Master atinge o segundo juiz da Suprema Corte, Moraes” — também faz referência a menções envolvendo outro integrante do tribunal, o ministro Dias Toffoli. Ele foi citado em denúncias relacionadas a empresas ligadas ao banqueiro investigado.
Dias antes dessa publicação, Jason Miller já havia compartilhado outra matéria que tratava da relação entre o Banco Master e a advogada Viviane Barci, esposa de Alexandre de Moraes. O contrato mencionado teria valor de R$ 129 milhões.
O texto reproduzido pelo conselheiro de Trump foi publicado pela revista The Economist e afirmava que o ministro também estaria enfrentando pressões políticas. Segundo a reportagem, surgiram indícios de que Viviane Barci teria firmado um contrato considerado incomum para representar juridicamente o Banco Master.
Outro ponto destacado por Miller foi um trecho da publicação que menciona o crescimento no número de processos do escritório da advogada após a nomeação de Moraes ao STF. Antes da indicação do ministro ao tribunal, o escritório teria 27 casos em tramitação no STF e no Superior Tribunal de Justiça (STJ); atualmente, segundo a reportagem, esse número teria chegado a 152.


