O ex-vereador por Maceió, vice-presidente da Associação Alagoana de Supermercados (ASA) e pré-candidato a deputado estadual Francisco Sales afirmou nesta segunda-feira (11) que não apenas a Assembleia Legislativa de Alagoas, mas também as câmaras municipais das cidades atendidas pela BRK, Verde Alagoas e Águas do Sertão precisam reagir diante das denúncias, reclamações e sucessivos problemas relatados por consumidores em diversas regiões do estado.
Sales citou como exemplo a reação política ocorrida no estado de São Paulo após o aumento expressivo das reclamações contra a Sabesp depois da privatização da companhia. Em várias cidades paulistas foram abertas CPIs para investigar falhas no abastecimento, aumento de tarifas, demora no atendimento e piora na prestação dos serviços.
“Se em São Paulo houve abertura de CPIs, investigações e pressão institucional diante das reclamações da população, por que em Alagoas a Assembleia Legislativa e as câmaras municipais permanecem em silêncio diante de tantas denúncias e insatisfações?”, questionou.
Segundo Francisco Sales, consumidores alagoanos relatam diariamente problemas relacionados à falta constante de água, interrupções prolongadas no abastecimento, cobranças consideradas abusivas, dificuldade de atendimento, demora para resolução de demandas e insegurança quanto à regularidade dos serviços prestados.
O empresário afirmou que o problema já ultrapassou o campo das reclamações isoladas e passou a afetar diretamente a vida das famílias, o funcionamento do comércio, restaurantes, supermercados, pequenos empreendedores e atividades econômicas inteiras em diversas cidades alagoanas.
“Água não é um produto qualquer. Água é dignidade humana, saúde pública, qualidade de vida e desenvolvimento econômico. O cidadão não pode ser obrigado a pagar caro convivendo diariamente com medo de faltar água dentro de casa ou no seu negócio”, declarou.
Francisco Sales também destacou a crise envolvendo a Verde Alagoas, onde trabalhadores aprovaram greve por tempo indeterminado após impasses nas negociações trabalhistas e denúncias de falta de entendimento entre empresa e categoria, situação que poderá impactar diretamente os serviços prestados em dezenas de municípios alagoanos.
“O cenário preocupa ainda mais quando até trabalhadores demonstram desgaste e aprovam paralisações. Isso mostra que existe um ambiente de tensão e problemas estruturais que precisam ser debatidos com seriedade”, afirmou.
Sales defendeu que a Assembleia Legislativa de Alagoas convoque representantes das concessionárias, agências reguladoras, Ministério Público, Procon e entidades da sociedade civil para uma ampla discussão pública sobre a situação do saneamento no estado.
Ele também afirmou que as câmaras municipais precisam assumir protagonismo nas cidades diretamente afetadas pelos serviços das concessionárias, promovendo audiências públicas, ouvindo moradores, comerciantes e entidades locais e cobrando respostas efetivas das empresas.
“As câmaras municipais estão próximas da realidade da população. São os vereadores que escutam diariamente o sofrimento das pessoas nos bairros, nos povoados e nas comunidades. Não dá mais para tratar essas reclamações como algo normal”, destacou.
Francisco Sales também defendeu mais transparência nos contratos de concessão, fiscalização rigorosa das metas assumidas pelas empresas e mecanismos mais fortes de proteção aos consumidores.
“O povo alagoano merece respeito. Não é razoável que milhares de pessoas convivam com reclamações recorrentes enquanto o poder público assiste tudo passivamente. A ALE e as câmaras municipais precisam assumir seu papel e dar uma resposta firme à população”, concluiu.


