Turistas que visitarem Alagoas poderão ganhar uma alternativa para devolver corais, conchas e outros materiais naturais retirados das praias antes de embarcar de volta para casa. O Ministério Público Federal (MPF) articula com órgãos ambientais, Polícia Federal, Governo de Alagoas e a concessionária Aena a criação de um ponto de entrega voluntária no Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares, em Maceió.
A proposta ainda está em fase de definição, mas prevê que passageiros possam entregar voluntariamente pequenos fragmentos identificados durante a inspeção das bagagens. Depois, o material seria recolhido periodicamente pelos órgãos ambientais e receberia a destinação adequada.
A iniciativa foi discutida em reunião realizada pelo MPF e ganhou novos encaminhamentos com a participação da Aena, responsável pelo aeroporto, além de representantes dos órgãos ambientais e da Polícia Federal.
Informação antes do embarque
A ideia não é apenas criar um local para receber os materiais. O projeto também prevê uma campanha de educação ambiental para informar o visitante antes que ele chegue ao aeroporto.
A comunicação poderá ser ampliada para hotéis, áreas de visitação, feiras de artesanato e outros locais frequentados por turistas. A intenção é explicar que corais, conchas e outros elementos naturais fazem parte dos ecossistemas costeiros e não devem ser retirados das praias ou levados como lembrança.
Segundo o MPF, alguns turistas podem retirar pequenos fragmentos sem saber que a prática pode gerar consequências ambientais e legais. A proposta busca atuar justamente na prevenção, levando informação ao visitante durante a própria viagem.
Alta temporada aumenta atenção
A preocupação ganha importância com a proximidade do período de maior movimentação turística em Alagoas. De acordo com informações apresentadas pela Polícia Federal durante a reunião, ocorrências envolvendo corais são pouco frequentes neste período do ano, mas tendem a aumentar durante a alta estação.
A criação do ponto de entrega pretende estabelecer um fluxo específico para situações de menor gravidade. Casos envolvendo recusa do passageiro, grandes quantidades ou outras circunstâncias consideradas mais graves continuarão sujeitos à avaliação dos órgãos competentes e, quando necessário, ao acionamento da Polícia Federal.
A Aena também deverá avaliar a criação de ações de comunicação no aeroporto. A proposta é que a orientação chegue ao turista antes mesmo do momento da inspeção da bagagem.
Medida pode chegar a Maragogi
A discussão não está restrita ao aeroporto de Maceió. Representantes envolvidos no encontro também trataram da possibilidade de incorporar ações de educação ambiental ao futuro aeroporto de Maragogi, que ainda está em etapa anterior à concessão.
Até 3 de novembro, os órgãos envolvidos deverão avançar na definição do funcionamento do ponto de entrega voluntária em Maceió, incluindo localização, logística de recolhimento, destinação dos materiais e procedimentos para os trabalhadores do aeroporto.
Para o turismo alagoano, a iniciativa acrescenta uma medida de conscientização à experiência do visitante. A mensagem que se pretende reforçar é simples: as praias podem ser levadas na memória e nas fotografias, mas os elementos naturais devem permanecer no ambiente onde foram encontrados.
Fonte: Jornal de Alagoas


