Um amigo próximo, sabedor do meu distanciamento das redes sociais, me relatou no final de semana o que anda escoando nesse esgoto da alma humana (onde, às vezes, até escorre água limpa).
Ele contou-me que o vice-governador Ronaldo Lessa foi alvo, por esses dias, de muitos ataques por causa da sua aliança – e do PDT – com JHC, mas votar em Lula.
Ressalto que a decisão de mudança de lado, por parte de Lessa, não foi a primeira: ele era o vice do ex-prefeito de Maceió, mas foi alçado à condição de vice de Paulo Dantas, ambos candidatos de direita, independentemente da votação no presidente do PT (isso não define uma ideologia por si só).
Ressalto: ele foi o governador que deu uma virada na política de Alagoas – o seu primeiro governo foi um corte na história da administração pública local. No segundo, infelizmente, ele já estava contaminado pelo vírus do poder e da soberba.
Tive problemas profissionais com ele nesse período, mas nem assim passei a odiá-lo ou a tratá-lo com desdém.
E nem o faço, agora (nem a qualquer outro).
Não se trata de concordar e muito menos discordar das viradas de Lessa, mas o que me impressiona são a agressividade e a linguagem usada pelos que o atacam – e não sei se se tratam de pessoas com coerência político-eleitoral, alguma militância na vida, fora do poder, ou carregam outros defeitos de personalidade.
Nesse ambiente de ódio, de grave doença social, vai ficando claro que o sentimento mais brutal, eis o busílis, independe das diferenças “ideológicas” ou das opções eleitorais.
Vale para todos os lados, principalmente quando se instala nos fracos.
Ódio é ódio e diz mais de quem o vocifera do que de quem é o seu alvo.
Fonte: Ricardo Mota


