A condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, formada por cinco ministros, já é considerada praticamente inevitável até mesmo entre seus apoiadores. Diante desse cenário, Donald Trump avalia um gesto político: devolver o visto ao ministro Edson Fachin. A medida é vista como um movimento estratégico para um possível rearranjo após a decisão do colegiado.
Integrantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos avaliam que Edson Fachin pode se tornar uma figura-chave nas relações entre Brasília e Washington. Considerado por diplomatas como alguém que evita atritos, o ministro do STF é visto como potencial “pacificador” em meio às disputas políticas brasileiras.
A expectativa na Casa Branca é que, ao assumir a presidência do Supremo em 28 de setembro, Fachin tenha em mãos a decisão sobre o recurso de Jair Bolsonaro, que tenta levar seu processo para análise do plenário com 11 ministros. Nesse contexto, a devolução do visto ao magistrado surge como gesto simbólico da diplomacia americana.
Edson Fachin chegou ao Supremo em junho de 2015, nomeado pela então presidente Dilma Rousseff. Desde então, sua atuação não indica afastamento da linha adotada por Alexandre de Moraes, responsável pela relatoria da ação penal contra Jair Bolsonaro. Até agora, o ministro não deixou transparecer qualquer intenção de contrariar o colega.
No Supremo Tribunal Federal, a maioria dos ministros viu seus vistos para os Estados Unidos suspensos durante a gestão Trump. Escaparam da medida apenas André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux. Já nomes como Luís Roberto Barroso, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Edson Fachin, Cármen Lúcia, Dias Toffoli e Cristiano Zanin foram atingidos pela decisão.
Agora, Washington discute internamente a possibilidade de devolver o documento a Fachin. O tema entrou na pauta de encontros que envolveram representantes do governo norte-americano, o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro e o jornalista Paulo Figueiredo.