O que foi prometido como uma revolução na infraestrutura e eficiência hídrica em Alagoas tem se transformado em um cenário de insatisfação popular e instabilidade social. O Sindicato dos Urbanitários de Alagoas vem intensificando as denúncias de que o modelo de concessão à iniciativa privada falhou em suas premissas básicas: a universalização do acesso e a modicidade tarifária.
Segundo os Urbanitários, desde que as empresas privadas assumiram o controle do saneamento e distribuição em diversas regiões do Estado, o impacto no bolso do consumidor foi imediato. Relatos de contas que dobraram de valor sem justificativa clara tornaram-se rotina nos balcões de atendimento e nos órgãos de defesa do consumidor.
Somado ao custo elevado, a piora na qualidade dos serviços é o ponto central das queixas. Interrupções constantes no fornecimento e a demora em reparos básicos são os problemas mais citados por moradores, tanto da capital quanto do interior.
Os protestos semanais da população dão razão aos alertas feitos pelos Urbanitários ainda durante o processo de leilão. O Sindicato sempre afirmou que o lucro das empresas privadas está sendo priorizado em detrimento do bem-estar social.
A insatisfação não ficou restrita às redes sociais. Alagoas registra hoje protestos semanais. Ruas bloqueadas, pneus queimados e manifestações em frente às sedes das concessionárias tornaram-se o termômetro de uma crise que não dá sinais de trégua.
Para os Urbanitários, a lógica privada exclui as periferias e comunidades rurais, onde o retorno financeiro é menor, aprofundando o abismo social no estado.
A posição defendida pelo Sindicato dos Urbanitários é clara: a manutenção da gestão pública é a única via para garantir que a água seja tratada como um direito humano, e não como mercadoria.
“A água pública é a única garantia de que tanto ricos quanto pobres terão acesso ao recurso. O setor privado busca o dividendo; o setor público busca o atendimento”, afirma Dafne Orion, presidenta dos Urbanitários.
Enquanto o governo e as empresas buscam formas de mitigar a crise de imagem e operacional, a população alagoana segue vigilante, cobrando que o acesso ao item mais essencial para a vida não dependa exclusivamente da capacidade de pagamento de cada cidadão.


