A Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou o arquivamento de parte do inquérito que investigava o senador Chico Rodrigues (PSB-RR), flagrado com dinheiro escondido na cueca durante uma operação da Polícia Federal em 2020.
O pedido, encaminhado ao ministro relator Flávio Dino em 28 de dezembro, argumenta que não há elementos suficientes para justificar a continuidade da investigação contra o parlamentar.
A apuração realizada pela Polícia Federal investigava supostos desvios de recursos destinados ao combate à pandemia de Covid-19 em Roraima. Apesar do indiciamento do senador em 2021, a PGR concluiu que não foi possível comprovar a origem ilegal dos valores apreendidos, requisito essencial para caracterizar crimes como lavagem de dinheiro ou ocultação de patrimônio.
Segundo a Procuradoria, as suspeitas iniciais que vinculavam Rodrigues a irregularidades em contratos financiados por emendas parlamentares não se confirmaram durante a investigação.
“No que se refere aos valores em espécie apreendidos na residência do senador da República, durante o cumprimento das diligências de busca e apreensão realizadas em 14.10.2020 — tanto aqueles localizados em cofres quanto os encontrados em suas vestes íntimas —, não se logrou demonstrar a proveniência ilícita do numerário”, destacou a PGR.
A investigação teve início a partir de relatos de um ex-integrante da Secretaria de Saúde de Roraima. Durante a busca e apreensão, a PF encontrou mais de R$ 30 mil escondidos na cueca do parlamentar, que afirmou na época que o dinheiro seria usado para pagar funcionários e que o escondeu apenas por nervosismo.
Além do arquivamento parcial, a PGR recomenda que os demais trechos da investigação, envolvendo empresários e servidores estaduais sem foro no STF, sejam remetidos à Justiça de Roraima. Para o órgão, não há razão para que essas partes continuem tramitando no Supremo após o arquivamento das imputações contra o senador.
A decisão final sobre o arquivamento do caso caberá ao ministro Flávio Dino.


