Até o 4 de abril, é possível especular ou imaginar diferentes cenários. Para a política alagoana será uma fase de “laboratório”, em que hipóteses são testadas, nomes são colocados à mesa e possibilidades, mesmo as menos prováveis, entram no radar para aferição.
É nesse contexto que surge a primeira pesquisa eleitoral registrada de 2026 em Alagoas, realizada pela TDL Pesquisa e Estratégia. O levantamento chama atenção não apenas pelos números — que ainda serão divulgados —, mas principalmente pelo desenho dos cenários testados. Pela primeira vez, o nome do governador Paulo Dantas aparece como opção para o Senado.
O dado, por si só, não indica mudança de rota. Paulo Dantas já deixou claro, em conversas reservadas e públicas, que permanecerá no cargo até o final do mandato. Mas há uma condição explícita: Renan Filho ser o candidato do grupo ao governo do Estado. Nesse cenário, Paulo fica para cumprir duas missões centrais — ajudar a eleger o sucessor e fortalecer o projeto de reeleição do senador Renan Calheiros.
Ou seja, a presença de Paulo na pesquisa não aponta para uma decisão tomada, mas para uma possibilidade teórica, ainda que remota. Renan Filho segue como pré-candidato natural ao governo, mas o próprio meio político reconhece que seu nome também circula em especulações sobre projetos nacionais, o que mantém o tabuleiro aberto até o limite do prazo legal.
Ao incluir Paulo Dantas no cenário de Senado, a TDL não antecipa fatos. Testa elasticidade. Mede capilaridade. Avalia até onde vai o recall eleitoral do governador fora do cargo executivo. E, sobretudo, oferece insumos para o debate interno dos grupos políticos.
Outro ponto relevante do levantamento será a leitura regional. A pesquisa tende a mostrar não apenas a força de Renan Calheiros, nome consolidado para o Senado, mas também a capilaridade de Arthur Lira e do próprio Paulo Dantas — três lideranças com estruturas, alianças e presença territorial distintas.
A pesquisa, portanto, cumpre um papel de mostrar possibilidades antes que elas virem fatos consumados. Ela não define rumos, mas ilumina alternativas e antecipa conversas que ganharão corpo nos próximos dois meses.
A divulgação dos números está marcada para quarta-feira, dia 28. Até lá, a principal leitura é esta: o Senado deixou de ser um roteiro previsível, e 2026, definitivamente, entrou em campo das incertezas com a chegada de novos nomes. Quem achava que o jogo estava resolvido antes de abril, pode precisar recalcular a rota.
Fonte: Blog de Edivaldo Júnior


