A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro publicou, no último sábado (14), um vídeo nas redes sociais em que uma influenciadora bolsonarista acusa jornalistas de desejarem a morte do ex-presidente Jair Bolsonaro. O ex-chefe do Executivo está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital DF Star, em Brasília.
Na gravação, a apoiadora filma repórteres que estavam do lado de fora da unidade hospitalar acompanhando atualizações sobre o estado de saúde do ex-presidente. Durante o vídeo, ela acusa os profissionais de comemorar e de comentar sobre uma possível morte de Bolsonaro, embora as imagens não mostrem qualquer conversa nesse sentido.
O conteúdo foi compartilhado por Michelle em seu perfil no Instagram, onde possui mais de 8 milhões de seguidores. A publicação foi acompanhada da legenda afirmando que jornalistas estariam reunidos desejando a morte do ex-presidente e celebrando o fato de ser sexta-feira 13.
Após a divulgação do vídeo, profissionais da imprensa relataram ter recebido ameaças, tanto contra eles quanto contra familiares. Segundo informações registradas na Polícia Civil do Distrito Federal, ao menos dois jornalistas formalizaram boletins de ocorrência. Duas repórteres também afirmaram ter sido alvo de ataques após serem reconhecidas em locais públicos.
Diante da repercussão do caso, entidades representativas da categoria manifestaram repúdio às agressões. A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal divulgaram notas públicas cobrando segurança para os profissionais.
Em posicionamento oficial, a Abraji classificou a divulgação do vídeo sem verificação prévia como um ato irresponsável. A entidade afirmou que o conteúdo foi deturpado e expôs jornalistas que estavam apenas exercendo suas funções a ameaças e campanhas de difamação.
No comunicado, a associação também criticou o uso da influência de figuras públicas para atacar a imprensa. Segundo o texto, ações desse tipo representam não apenas ameaças individuais aos profissionais, mas também um risco à liberdade de imprensa e ao funcionamento da democracia.
Por sua vez, a Fenaj e o Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal também reforçaram, em nota, a necessidade de proteção aos trabalhadores da comunicação diante da escalada de ataques registrados após a publicação do vídeo.


