sábado, agosto 30, 2025
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Haddad afirma que plano contra o tarifaço será enviado a Lula nesta 4ª

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou nesta quarta-feira (6) que o plano de contingência para evitar o tarifaço de 50% sobre exportações brasileiras aos Estados Unidos será encaminhado ainda hoje ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

De acordo com Haddad, caberá ao presidente Lula a decisão sobre o momento do anúncio das medidas.

Aos jornalistas, na entrada do Ministério da Fazenda, o ministro confirmou que o pacote de ações pode ser apresentado por meio de uma medida provisória (MP).

“[As medidas de auxílio aos setores] Saem hoje aqui da Fazenda. Ontem, tivemos uma reunião com o presidente [Lula] para detalhar o plano. Tem um relatório que vai chegar do MDIC nos relatando empresa por empresa, o presidente pediu, mas o ato em si não depende desse documento porque é um ato mais genérico. Só na regulamentação e aplicação da lei que vamos ter que fazer uma análise mais setorial, CNPJ a CNPJ”, declarou Haddad.

A partir desta quarta-feira, boa parte das exportações brasileiras serão sobretaxadas em 50% para entrar nos Estados Unidos. A medida faz parte de um conjunto de medidas protecionistas impostas pelo presidente Donald Trump.

O tarifaço de Donald Trump

  • O presidente norte-americano Donald Trump assinou, em 31 de julho, ordem executiva que oficializou a tarifa de 50% contra os produtos exportados do Brasil para os Estados Unidos.
  • Na prática, os 50% são a soma de uma alíquota de 10% anunciada em abril, com 40% adicionais anunciados no começo do mês e oficializados na última quarta-feira (30).
  • Apesar disso, o líder norte-americano deixou quase 700 produtos fora da lista de itens afetados pela tarifa extra de 40%. Entre eles, suco de laranja, aeronaves, castanhas, petróleo e minérios de ferro.
  • Os produtos isentos dessa segunda leva serão afetados apenas com a taxa de 10%.
  • As tarifas entraram em vigor nesta quarta-feira (6).

O tarifaço, embora tenha sido reduzido, ainda impacta produtos essenciais para a economia brasileira, como a carne e o café.

Na noite da última terça-feira (5/8), o presidente Lula finalizou os detalhes do plano de socorro para os setores mais prejudicados. No Palácio do Planalto, ele se reuniu com o vice-presidente Geraldo Alckmin e os ministros Fernando Haddad (Fazenda), Luiz Marinho (Trabalho e Emprego) e Rui Costa (Casa Civil).

Nos próximos dias, o governo brasileiro deve divulgar medidas específicas para as áreas mais afetadas pelo aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos.

A preservação dos empregos tem sido apontada pelos auxiliares como a principal preocupação do presidente Lula diante desse cenário.

Negociações com os EUA

Uma reunião virtual entre o ministro Haddad e o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, está marcada para 13 de agosto, com o objetivo de discutir a imposição das tarifas unilaterais de 50% sobre as exportações brasileiras para os EUA.

O primeiro encontro entre os dois ocorreu em maio, na Califórnia, durante uma viagem oficial do ministro aos Estados Unidos.

Naquela ocasião, quando o presidente Donald Trump aplicou uma tarifa de 10% contra o Brasil, Bessent teria admitido que é uma anomalia taxar parceiros comerciais que apresentam balanço comercial deficitário com os EUA, conforme relato feito por Haddad.

Ainda nesta quarta-feira, Haddad enfatizou que o governo brasileiro atuará para assegurar a soberania nacional e o cumprimento da legislação brasileira relacionada ao caso.

“Nós queremos abrir a negociação, superar esse desentendimento provocado pela extrema direita brasileira, e normalizar as relações”, destacou o ministro.

Críticas a família Bolsonaro

O auxiliar de Lula expressou preocupação com a atuação da família Bolsonaro nos Estados Unidos. Segundo Haddad, é necessário que as pessoas ligadas aos bolsonaros se unam ao governo federal para “distensionar as relações e tratar o que é política na política, e o que é economia na economia”.

De acordo com o ministro, essa mistura entre política e economia “está atrapalhando muito” as negociações com os EUA.

Haddad ressaltou ainda a importância de normalizar as relações por meio da informação e de bons argumentos, separando a discussão política das questões econômicas. “Isso não tem nada a ver com o Executivo Federal Brasileiro”, frisou.

O ministro também criticou a postura do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que atualmente está nos Estados Unidos pressionando autoridades norte-americanas para endurecer ainda mais as sanções contra as instituições brasileiras.

“[O Brasil] é o único país do mundo que tem uma força política interna em Washington trabalhando contra o interesse nacional. Tem algum indiano fazendo isso? Tem algum chinês fazendo isso? Tem algum russo fazendo isso? Tem algum europeu fazendo isso? Não”, reclamou Haddad.

Para enfrentar essa situação, Haddad convocou governadores e empresários brasileiros a integrarem uma força-tarefa, destacando que não se trata mais de uma “situação de oposição”, mas sim da defesa dos interesses nacionais.

Ele ainda alertou que os governadores próximos à extrema direita precisam exercer plenamente suas prerrogativas. “Não é fingir que não está acontecendo nada, se esconder embaixo da cama e desaparecer. O governador tem mandato, e ele tem que defender os interesses do seu estado. O mesmo vale para o empresariado”, concluiu.

Fonte: Política Alagoana

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