O governo federal apresentou um novo Projeto de Lei ao Congresso Nacional que propõe a taxação dos chamados “super-ricos” como forma de viabilizar a isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil por mês. A medida faz parte de um esforço para tornar o sistema tributário mais justo e já provocou uma série de debates públicos, especialmente sobre quem será mais impactado pela nova cobrança.
Para esclarecer dúvidas e engajar a população, o Executivo recorreu ao bom humor e lançou uma campanha inusitada nas redes sociais: um “chá de revelação” publicado no Instagram oficial do governo. A proposta da peça é informar, de forma leve e direta, que apenas pessoas com renda acima de R$ 50 mil mensais terão aumento na contribuição tributária.
O conteúdo começa com uma pergunta simples: “Você ganha até R$ 5 mil por mês?”. Para quem responde sim, a boa notícia: a partir de 2026, não pagará mais Imposto de Renda. Esse grupo representa 86,2% dos trabalhadores formais no país. Em seguida, a campanha contempla quem recebe até R$ 7 mil, que também terá redução no IR, elevando para 90,7% o total de brasileiros diretamente beneficiados com a nova política. Já para quem ganha entre R$ 7 mil e R$ 50 mil, nada muda.
A proposta se torna mais incisiva quando aborda os rendimentos mais altos. “Você ganha mais de R$ 50 mil por mês?” marca a virada no tom do vídeo, informando que chegou a hora dessa faixa contribuir mais. Segundo o governo, essa minoria de 0,5% da população paga hoje cerca de 2,5% de IR e, com a nova regra, poderá chegar a 10%, financiando a redução para as faixas mais baixas.
Por fim, o “chá de revelação” termina com uma pergunta direta: “Você ganha mais de R$ 100 mil por mês?”. A resposta, em tom descontraído, é: “Aí é contigo mesmo!”. A publicação reforça que quem recebe mais de R$ 1,2 milhão por ano será o principal responsável por bancar a isenção para milhões de brasileiros de menor renda, contribuindo com até 10% de IR, conforme a nova proposta.
Congresso resiste a aprovar mudança
Nas redes sociais, especialmente no Instagram, o governo federal tem convocado a população a pressionar os deputados pela aprovação da taxação dos super-ricos. A proposta enfrenta resistência no Congresso, e o governo alerta: “Aprovar a isenção sem a compensação pelos super-ricos é uma armadilha, porque significaria aliviar o bolso do povo tirando da saúde e da educação públicas que atendem… o povo. E vamos lá: quem ganha mais de R$ 1,2 milhão por ano pode pagar 10% de IR, não é mesmo?”, diz a postagem oficial.
Uma das promessas de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é corrigir a tabela do Imposto de Renda para isentar quem recebe até R$ 5 mil por mês. Atualmente, no entanto, a isenção beneficia apenas quem ganha até dois salários mínimos, ou seja, R$ 2.824 em 2025. Embora exista um modelo de desconto simplificado, ele não garante isenção total para quem ultrapassa esse limite de renda.
Pelo modelo vigente de tributação por faixas, o valor de até R$ 2.259,20 é livre de imposto para todos os contribuintes. A partir desse montante até R$ 2.826,65, aplica-se uma alíquota de 7,5%. A tabela continua progressivamente até chegar à faixa de renda acima de R$ 4.664,68, que é tributada em 27,5%.
Por fim, é importante lembrar que há diversas deduções permitidas por lei, como gastos com saúde, educação e dependentes. Essas deduções reduzem o valor final do imposto a ser pago, o que faz com que a alíquota efetivamente cobrada varie entre os contribuintes, mesmo que estejam na mesma faixa de renda.