Caso Jair Bolsonaro (PL) seja preso ou condenado no julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), marcado para começar em 2 de setembro, a medida pode intensificar as tensões diplomáticas com os Estados Unidos e gerar sanções inéditas ao Brasil, com efeitos significativos na economia.
O quadro de relações entre Brasil e Estados Unidos já vinha se complicando desde julho, quando o governo Trump impôs tarifas a produtos brasileiros. Alessandra Ribeiro, diretora de macroeconomia da Tendências Consultoria, alerta que “existe um risco real de sanções, tanto pessoais, atingindo outros ministros e familiares além de Alexandre de Moraes, quanto medidas econômicas mais severas”.
Nos últimos dias, em demonstração de alinhamento com Bolsonaro, Donald Trump e integrantes de seu governo sinalizaram a possibilidade de adotar novas medidas contra o Brasil.
Analistas apontam riscos econômicos caso sanções dos EUA avancem
Especialistas alertam que a elevação de tarifas sobre produtos brasileiros, em estudo pela equipe de Donald Trump, pode ter efeitos severos. Se as tarifas chegarem a 100%, as exportações para os Estados Unidos, principal destino da indústria nacional, ficariam praticamente inviáveis, com reflexos diretos sobre produção e emprego.
Além disso, a expansão da aplicação da Lei Magnitsky poderia atingir bancos e autoridades brasileiras. Instituições que descumprissem as sanções americanas estariam sujeitas a multas bilionárias ou até à perda de acesso ao mercado norte-americano, aumentando o custo do crédito e dificultando operações comerciais internacionais.
No pior cenário, o país poderia ser excluído do Swift, sistema internacional que gerencia transferências bancárias. Isso isolaria o Brasil do comércio e dos investimentos globais, causando impactos severos em empresas, bancos e consumidores.
Os bancos brasileiros enfrentariam um dilema: seguir as determinações da Justiça nacional ou respeitar as sanções da Lei Magnitsky, para não perder acesso ao sistema financeiro americano. Segundo o STF, leis estrangeiras não têm validade automática no país, mas a aplicação prática gera incertezas para o setor financeiro.
Um passo ainda mais radical seria o congelamento das reservas brasileiras em dólar mantidas nos Estados Unidos. Especialistas alertam que tal medida teria efeito comparável a um “ataque nuclear econômico”, deixando o Banco Central sem ferramentas para conter crises cambiais e controlar a inflação.