sábado, agosto 30, 2025
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Apoio de Lula à Rússia e China ameaça compras de armas e equipamentos militares

Compras estratégicas da área de Defesa do Brasil, como helicópteros para operações na Amazônia e mísseis antiblindado Javelin, podem estar ameaçadas devido à escalada de tensões entre o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O alinhamento do Brasil com Rússia e China também preocupa analistas, que apontam risco para projetos das Forças Armadas, incluindo a construção de submarinos com a França e aquisição de caças com tecnologia sueca.

Especialistas afirmam que a aproximação com a China e, principalmente, com a Rússia tem intensificado um clima de tensão e aberto espaço para ações estratégicas de potências declaradamente antiocidentais, impactando diretamente negociações militares internacionais.

Fontes ouvidas pela reportagem destacam que o Alto Comando do Exército está atento à situação e não descarta dificuldades na aquisição de helicópteros, mísseis e outros equipamentos americanos enquanto persistirem os desentendimentos entre Lula e Trump.

Apesar das possíveis restrições com os Estados Unidos, a cúpula militar acredita que contratos com outros países do Ocidente, como França e Suécia, devem seguir sem impactos significativos, garantindo a continuidade de projetos estratégicos das Forças Armadas.

“A aproximação com China e Rússia, impulsionada por afinidades ideológicas do governo Lula, do PT e estimulada por figuras influentes no entorno presidencial, já se reflete em iniciativas concretas, como o assédio de empresas desses países à indústria militar brasileira e do risco de não fornecimento de materiais e itens de defesa ao Brasil por alianças ocidentais”, alerta o doutor em Direito Internacional pela Universidade de São Paulo Luiz Augusto Módolo.

A Gazeta do Povo entrou em contato com o governo federal, por meio do Ministério das Relações Exteriores e do Ministério da Defesa, mas não obteve resposta até o momento da publicação da matéria.

“O conjunto da obra diplomática brasileira atual, especialmente a presença de Lula ao lado de Putin, lança dúvidas sobre o compromisso do Brasil com os interesses ocidentais. Isso inevitavelmente impacta a confiança em acordos militares, principalmente em países membros ou próximos da Otan”, afirma Marcelo Almeida, especialista em segurança e defesa.

Os riscos à defesa do país também têm repercussão no cenário político. A ex-deputada federal Silvia Waiãpi (PL-AP), afastada do cargo por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), alertou que “os Estados Unidos têm muito mais poderio bélico que nós, temos as Forças Armadas sucateadas neste momento e o governo Lula mantém sua postura de afronta aos Estados Unidos. Se aliando a russos e chineses, coloca projetos e a própria Defesa em alerta e em perigo”.

Diante desse contexto, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, será ouvido pela Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado nesta quinta-feira (14), às 10h, para prestar esclarecimentos sobre as atividades do Ministério da Defesa e os projetos estratégicos de defesa nacional.

O requerimento para a audiência foi apresentado pelo senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), que enfatiza a importância de o Brasil estar atento ao atual cenário internacional, marcado por intensificação de tensões geopolíticas e instabilidade nos fóruns multilaterais de segurança.

Além do ministro, a comissão também convidou os comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, embora a participação deles ainda não tenha sido confirmada, reforçando o caráter estratégico da reunião e a necessidade de diálogo entre os poderes e as Forças Armadas.

Rússia tenta aumentar influência na América Latina

O analista Marcelo Almeida ressalta que, há anos, a Rússia busca ampliar sua presença na América Latina, promovendo uma clara “ofensiva de charme” voltada também ao mercado militar brasileiro. Moscou tenta aumentar sua influência por meio de propaganda em redes sociais, lobby diplomático e empresarial, com o objetivo de vender tecnologia e armamentos.

Almeida avalia que essa atuação pode se intensificar neste momento, aproveitando a tensão diplomática existente entre o Brasil e os Estados Unidos.

A ofensiva de influência russa na região é parte de uma estratégia diplomática e política do governo Putin, que visa estreitar laços com países latino-americanos, especialmente aqueles com governos críticos aos Estados Unidos e à ordem internacional liderada pelo Ocidente. A iniciativa inclui visitas diplomáticas, acordos de cooperação econômica, militar e energética, além de apoio político.

Do lado norte-americano, o Brasil passou a ser visto, especialmente sob a liderança de Donald Trump, não como um parceiro neutro, mas como uma peça no tabuleiro da rivalidade estratégica com a China e em proximidade com a Rússia. Essa percepção pode estimular Moscou a buscar parcerias militares com o país.

Apesar disso, não há indicativos de que oficiais das Forças Armadas brasileiras demonstrem interesse em adquirir equipamentos russos. A maior parte dos armamentos do Brasil depende de manutenção, munição e peças fornecidas por países ocidentais, que poderiam interromper as operações para impedir que a tecnologia caia em mãos russas.

Programa de submarinos do Brasil é dependente de tecnologia da França

Entre os projetos estratégicos potencialmente afetados pela disputa geopolítica está o acordo firmado com a França para a construção de cinco submarinos. Durante visita ao Brasil em 2024, o presidente Emmanuel Macron e Lula anunciaram um “avanço estratégico em cooperação bilateral”, com o objetivo de viabilizar a transferência de tecnologia para o primeiro submarino brasileiro de propulsão nuclear.

O tratado já inclui a construção de quatro submarinos convencionais — três deles concluídos — e um com motor nuclear. O acordo original, assinado em 2008, prevê que a França compartilhe a tecnologia do casco do submarino nuclear, mas não do motor. Desde o final da década de 1970, o Brasil tenta desenvolver essa tecnologia por conta própria e agora busca convencer Paris a fornecer a tecnologia completa.

A aproximação do Brasil com a Rússia cria uma vulnerabilidade adicional: a tecnologia dos submarinos franceses da classe Scorpène poderia, em tese, ser repassada a Moscou. Isso permitiria ao Kremlin aprimorar o monitoramento dos navios franceses e identificar possíveis vulnerabilidades militares que poderiam ser exploradas em caso de conflito. O risco é ampliado pelo fato de que esses submarinos participam de operações da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Segundo Módolo, a combinação do envolvimento do Brasil com a França e sua relação próxima com China e Rússia cria um dilema geopolítico complexo, potencialmente arriscado para a Defesa nacional.

No Brasil, membros das Forças Armadas demonstram preocupação com a dependência do Programa de Submarinos (Prosub) em relação ao fornecimento de peças francesas. Um exemplo crítico dessa dependência é que os torpedos utilizados pelos submarinos são produzidos exclusivamente na França, tornando o projeto vulnerável a tensões externas.

Outro ponto de atenção envolve a sensibilidade das informações estratégicas associadas a projetos como os submarinos e a produção de caças suecos. De acordo com Marcelo Almeida, qualquer percepção por parte da Otan ou de aliados de que o Brasil possa funcionar como canal de vazamento de tecnologia ou conhecimento estratégico, mesmo de forma não intencional, colocaria em risco a parceria com a França e comprometeria a Defesa brasileira.

Almeida acrescenta que, em um contexto global marcado por alianças rígidas e crescente polarização, o Brasil corre o risco de ser visto como um ator ambíguo, comprometendo sua credibilidade diplomática e limitando o acesso a tecnologias estratégicas de ponta.

Fonte: Política Alagoana

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