O diretor-geral da Câmara dos Deputados, Guilherme Barbosa Brandão, recebeu R$ 22.931,04 em horas extras apenas no mês de março deste ano. O valor chama atenção, já que, para alcançá-lo, seria necessário cumprir o limite máximo de horas extras durante a semana e ainda registrar jornadas extensas nos fins de semana.
De acordo com os dados, mesmo trabalhando duas horas extras por dia útil, o total só seria atingido com uma carga adicional significativa aos sábados e domingos.
Outros integrantes da cúpula da Câmara também registraram valores elevados. O advogado-adjunto da Casa, Daniel Borges de Morais, recebeu R$ 17.178,61 em horas extras no mesmo período. Mesmo atingindo o limite semanal permitido, ainda haveria uma diferença de cerca de R$ 5 mil para alcançar o valor pago.
Já o diretor administrativo, Mauro Limeira Mena Barreto, teve R$ 21.807,56 registrados na rubrica de “outras remunerações eventuais/provisórias”, que inclui horas extras. Para chegar a esse montante, seria necessário, além da carga máxima durante a semana, uma jornada adicional expressiva nos fins de semana.
No total, cerca de 70 servidores da Câmara receberam mais de R$ 10 mil em horas extras em março, segundo levantamento obtido pela coluna Andreza Matais.
Nos bastidores, servidores ouvidos sob reserva apontam que diretores dificilmente atuam efetivamente aos fins de semana, já que suas atividades dependem do suporte de equipes subordinadas, o que levanta questionamentos sobre a compatibilidade entre os valores pagos e a carga de trabalho realizada.


