O músico preso pela morte de Abdon de Paula Gomes Neto, de 41 anos, apresentou à Polícia Civil uma versão própria sobre o que teria acontecido na noite do crime, no bairro da Jatiúca, em Maceió. Mesmo com o relato, a Justiça de Alagoas converteu a prisão em flagrante em preventiva do suspeito, entendendo que…
O músico preso pela morte de Abdon de Paula Gomes Neto, de 41 anos, apresentou à Polícia Civil uma versão própria sobre o que teria acontecido na noite do crime, no bairro da Jatiúca, em Maceió. Mesmo com o relato, a Justiça de Alagoas converteu a prisão em flagrante em preventiva do suspeito, entendendo que os indícios reunidos até agora contradizem a tese de suicídio apresentada pela defesa.
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Antes de mais nada, o acusado foi preso em flagrante no domingo (18), na casa da namorada, no bairro Clima Bom, em Maceió. Em seguida, ele teve a prisão convertida após audiência de custódia, por decisão do juiz Antonio Barros da Silva Lima.
O DEPOIMENTO
Na versão à polícia, o suspeito relatou que Abdon fazia uso de medicamento e teria misturado o remédio com álcool, o que teria provocado um surto. “Ele tem um remedinho lá (…) Um que é líquido, que ele fica tomando direto. Nesse tomar direto e tomando vodka, teve uma hora que ele surtou assim, de uma forma exacerbada. Quando eu vi aquela cena eu não entendi nada, não entendi porque. Não teve nenhum motivo. Pegou um punhal, e me ameaçou. Que vai me pegar e me matar. Eu disse: ‘Porque vai me matar, cara?’”, relatou o acusado.
Ainda no depoimento o suspeito disse ter quebrado um violão da vítima após levar um soco. “Quando eu levei esse murro, eu peguei o violão dele e quebrei o violão dele. Quando eu fiz isso as meninas começaram a chorar, as crianças e tal. E eu disse ‘Vamos embora, gente’. Quando eu disse ele começou a chorar também, marcou carreira e se jogou do prédio. Foi isso que aconteceu”, disse, antes de completar:
“Logo depois disso o vizinho dele desceu comigo. O vizinho dele começou a ligar pra Samu e eu também. Quando eu vi aquela cena, eu não tenho nem palavras para expressar o que eu vi. Ele lá no chão. O pessoal que tava lá viu o pulso, ele tava morto, essas coisas”, concluiu.
O QUE DIZ A INVESTIGAÇÃO?
Imagens do circuito interno do prédio são consideradas relevantes pela investigação. Os vídeos mostram o suspeito no elevador, segurando uma garrafa de refrigerante e conversando com um morador que desce para tentar socorrer Abdon. Enquanto o vizinho presta ajuda à vítima, o suspeito deixa o prédio a pé, comportamento que chamou atenção dos investigadores.
Segundo a Polícia Civil, Abdon Neto teria sido arremessado do segundo andar do prédio onde morava. A delegada Tacyana Ribeiro, responsável pelo caso, informou que o suspeito tentou sustentar, em depoimento, que a vítima sofreu um surto e teria se jogado sozinha. No entanto, de acordo com a autoridade policial, vestígios encontrados no local não confirmam essa versão.
Com base nos elementos reunidos, a Justiça entendeu que há indícios suficientes para manter a prisão preventiva, enquanto a Polícia Civil continua apurando a dinâmica do crime, ouvindo testemunhas e analisando laudos periciais.


