A revelação de que a Polícia Federal encontrou menções ao ministro Dias Toffoli no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, provocou reação de surpresa entre integrantes do Supremo Tribunal Federal. O aparelho foi apreendido em 2025 no âmbito das investigações sobre a instituição financeira.
O conteúdo foi entregue pessoalmente pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ao presidente do STF, ministro Edson Fachin. Caberá a ele analisar o material e decidir sobre um eventual pedido de suspeição de Toffoli, relator do caso Master na Corte.
Nos bastidores, ministros ouvidos sob reserva afirmam que ainda não tiveram acesso à íntegra do relatório encaminhado a Fachin. Apesar disso, a avaliação é de que o conteúdo pode ter forte impacto interno. “Estamos tentando entender. Temos poucas informações. Ministro Fachin não falou nada com ninguém. O clima é péssimo”, relatou um integrante do Supremo.
Entre os magistrados, há a percepção de que a PF pode ter reunido novos elementos envolvendo não apenas Toffoli, mas também outras autoridades mencionadas nas mensagens extraídas do celular de Vorcaro. “Ninguém acredita que vai parar por aí”, disse outro ministro, sob anonimato.
A expectativa dentro da Corte é de que Fachin decida inicialmente de forma monocrática sobre o eventual afastamento de Toffoli da relatoria e, posteriormente, submeta sua decisão ao plenário do STF.
Em nota, o gabinete de Toffoli afirmou que o pedido de declaração de suspeição apresentado pela Polícia Federal se baseia em “ilações”. O ministro argumentou ainda que a PF não teria legitimidade para formular esse tipo de solicitação, por não ser parte no processo, conforme prevê o artigo 145 do Código de Processo Civil. Segundo a manifestação, a resposta formal será apresentada ao presidente da Corte.


