A Polícia Federal (PF), com o apoio da Controladoria Regional da União em Alagoas (CGU/AL), deflagrou a Operação Hefesto para desarticular uma organização criminosa investigada por fraudes em licitações e lavagem de dinheiro em Alagoas. Divulgada nesta segunda-feira, 26, a força-tarefa mobilizou mais de 110 policiais federais e 13 auditores da CGU para cumprir 27…
A Polícia Federal (PF), com o apoio da Controladoria Regional da União em Alagoas (CGU/AL), deflagrou a Operação Hefesto para desarticular uma organização criminosa investigada por fraudes em licitações e lavagem de dinheiro em Alagoas.
Divulgada nesta segunda-feira, 26, a força-tarefa mobilizou mais de 110 policiais federais e 13 auditores da CGU para cumprir 27 mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão temporária expedidos pela 2ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado de Alagoas.
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As investigações revelaram que o grupo criminoso direcionava ilicitamente processos licitatórios, contratos e adesões a Atas de Registro de Preços entre os anos de 2019 e 2022. O esquema beneficiava uma única empresa fornecedora de equipamentos de robótica para 43 prefeituras alagoanas, utilizando verbas federais repassadas pelo Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação (FNDE).
Prejuízos milionários e cláusulas restritivas
De acordo com a PF e a CGU, os envolvidos inseriam especificações técnicas restritivas nos editais dos certames para barrar a concorrência de outras empresas. As análises iniciais da Controladoria-Geral da União apontam que as fraudes e o superfaturamento causaram um prejuízo efetivo de R$ 8,1 milhões ao erário, além de gerarem um risco potencial de sobrepreço estimado em R$ 19,8 milhões.
Diante do volume do rombo, a Justiça Federal ordenou o sequestro e o bloqueio de bens móveis e imóveis dos investigados no valor de R$ 8,1 milhões. A decisão judicial também determinou a suspensão imediata de todos os contratos e processos licitatórios ativos entre a fornecedora sob suspeita e os municípios envolvidos.
Saques fracionados e ocultação de bens
A investigação mapeou movimentações financeiras suspeitas realizadas pelos sócios da empresa e por interpostas pessoas (laranjas). O grupo repassava recursos a indivíduos e empresas sem capacidade financeira ou qualquer relação com o mercado de robótica, evidenciando manobras de lavagem de dinheiro.
Para burlar os alertas automáticos do Banco Central e do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), os suspeitos realizavam transferências e saques em espécie fracionados em valores individuais inferiores a R$ 50 mil.
Alcance das buscas e origem do nome
As equipes policiais executaram as ordens judiciais em cinco unidades da Federação: 16 mandados em Maceió (AL), oito em Brasília (DF), um em Gravatá (PE), um em São Carlos (SP) e um em Goiânia (GO). Os dois mandados de prisão temporária ocorreram no Distrito Federal.
O nome “Hefesto” faz referência ao deus do fogo, dos metais e da tecnologia na mitologia grega, aludindo aos equipamentos de robótica adquiridos com verbas públicas nos contratos investigados.


