Em Brasília, dados do Portal da Transparência apontam que o governo Lula 3 já ultrapassou R$ 7,35 bilhões em gastos com viagens a serviço em pouco mais de três anos de gestão. O montante inclui passagens aéreas, diárias e outras despesas relacionadas a deslocamentos de servidores públicos.
As informações consideram apenas viagens de trabalho realizadas por servidores, não incluindo os deslocamentos do presidente, que utiliza aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) em agendas oficiais e compromissos diplomáticos.
Desde o início do mandato, os gastos mantiveram um padrão elevado: foram R$ 2,29 bilhões em 2023, R$ 2,38 bilhões em 2024 e R$ 2,46 bilhões em 2025. Nos primeiros quatro meses de 2026, o valor já soma R$ 233,71 milhões em viagens concluídas.
Entre as despesas, as diárias representam a maior fatia, com R$ 4,26 bilhões, seguidas pelas passagens aéreas, que totalizam R$ 2,1 bilhões. As viagens dentro do Brasil concentram a maior parte dos gastos, com R$ 4,42 bilhões, enquanto os deslocamentos internacionais somam cerca de R$ 2,93 bilhões.
No cenário nacional, a rota mais utilizada foi entre Brasília e Rio de Janeiro, com mais de 104 mil passagens emitidas. Em seguida aparece o trecho Brasília-São Paulo, com mais de 88 mil bilhetes. Já no exterior, destinos como Lisboa, Washington e Genebra estão entre os mais frequentes.
Os custos dessas viagens são distribuídos entre diversos órgãos federais, com destaque para os Ministérios da Justiça, Educação, Defesa, Gestão, Fazenda e Meio Ambiente, que concentram maior volume de deslocamentos.
Na comparação com gestões anteriores, o volume atual é superior. Entre 2019 e 2022, no governo Jair Bolsonaro, os gastos somaram R$ 4,15 bilhões, período impactado pela pandemia de Covid-19. Já entre 2015 e 2018, nas gestões de Dilma Rousseff e Michel Temer, o total foi de R$ 5 bilhões, sem correção inflacionária.
O Palácio do Planalto foi procurado para comentar os dados, e uma manifestação oficial deve ser incorporada assim que for disponibilizada.
Veja abaixo os gastos com viagens a serviço a cada ano desde 2015, considerando a soma de passagens, diárias e outras despesas ressarcidas:
- 2015: 1,04 bilhão (governo Dilma)
- 2016: 1,34 bilhão (governos Dilma/Temer)
- 2017: 1,21 bilhão (governo Temer)
- 2018: 1,4 bilhão (governo Temer)
- 2019: 1,2 bilhão (governo Bolsonaro)
- 2020: 545 milhões (governo Bolsonaro/pandemia)
- 2021: 791 milhões (governo Bolsonaro/pandemia)
- 2022: 1,55 bilhão (governo Bolsonaro)
- 2023: 2,29 bilhões (governo Lula)
- 2024: 2,38 bilhões (governo Lula)
- 2025: 2,46 bilhões (governo Lula)
- 2026, até abril: 233,71 milhões (governo Lula)


