Uma troca de mensagens no WhatsApp ajudou a expor, segundo a Polícia Federal, o funcionamento de uma estrutura clandestina criada para proteger os interesses do Banco Master.
Em um dos diálogos recuperados pelos investigadores, o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, sugere que um jornalista seja seguido para que se obtenha “tudo” sobre ele.
Do outro lado da conversa está Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, identificado nas investigações pelo apelido de “Sicário”. Nas mensagens, ele afirma que providenciaria o monitoramento.
A conversa integra o conjunto de provas que embasou a nova fase da Operação Compliance Zero.
Na decisão de 48 páginas que autorizou medidas cautelares no caso, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça descreve a existência de uma estrutura paralela que funcionaria como uma espécie de milícia privada, voltada ao monitoramento e à intimidação de pessoas consideradas ameaças aos interesses do grupo econômico ligado ao Banco Master.
De acordo com a decisão judicial, essa estrutura, conhecida internamente como “A Turma”, teria sido utilizada para acompanhar jornalistas, levantar informações sobre adversários, vigiar ex-funcionários e antecipar riscos para o banqueiro e seus aliados.
No centro desse núcleo aparece Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão. Identificado nos autos pelo apelido que utilizava nas conversas, ele seria responsável por coordenar as atividades operacionais.
Segundo a Polícia Federal, caberia a ele organizar equipes de vigilância, localizar alvos e reunir informações consideradas sensíveis para o grupo.
A investigação também aponta que Mourão teria recorrido a métodos ilegais para acessar dados sigilosos.


