A disputa internacional pelas reservas brasileiras de terras raras vem ganhando força em meio ao aumento das tensões comerciais globais e à preocupação com a segurança no fornecimento de minerais estratégicos. Estados Unidos, União Europeia e China buscam ampliar sua presença no Brasil, que concentra a segunda maior reserva mundial desses minerais, fundamentais para tecnologias como veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos eletrônicos.
As jazidas brasileiras entraram no radar de Washington e Bruxelas, que tentam reduzir a dependência da China — hoje líder global na produção e no controle da cadeia de minerais críticos. No mês passado, no Rio de Janeiro, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, confirmou negociações para um acordo com o Brasil voltado a investimentos conjuntos em matérias-primas estratégicas.
Nesse contexto, a ApexBrasil deve promover, já no próximo mês, um evento no qual investidores ligados à União Europeia devem anunciar apoio financeiro a cinco projetos de mineração no país, envolvendo terras raras, níquel, lítio e manganês.
O interesse europeu caminha em paralelo ao dos Estados Unidos. Segundo fontes com conhecimento das tratativas, autoridades e representantes do setor já receberam sinalizações claras, em conversas reservadas, sobre o interesse norte-americano em acessar depósitos brasileiros, muitos ainda pouco explorados.
Levantamento do Financial Times indica que projetos de terras raras no Brasil captaram cerca de US$ 700 milhões em financiamentos nos últimos dois anos, entre capital próprio e dívida, com predominância de recursos de origem ocidental. Entre os investidores estão o grupo Hochschild, listado na Bolsa de Londres, além de investidores privados e pessoas de alto patrimônio.


