Pré-candidato à Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem intensificado agendas internacionais como estratégia para ampliar a visibilidade de sua campanha. As viagens incluem encontros com autoridades estrangeiras e discursos com forte tom eleitoral.
Nos últimos dias, o parlamentar esteve no Bahrein, onde participou de compromissos oficiais ao lado do primeiro-ministro e príncipe herdeiro do país, Sheikh Salman bin Hamad, além de outras autoridades locais.
Em passagem por Israel, Flávio Bolsonaro se reuniu com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Durante um dos eventos, o senador fez declarações críticas ao governo brasileiro, acusando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a esquerda de adotarem um discurso hostil em relação ao povo judeu.
Na ocasião, Flávio afirmou que o povo brasileiro respeita Israel e compartilha valores comuns com o país, acrescentando que o Brasil não abandonará Israel nem o povo judeu. As declarações repercutiram nas redes sociais e no meio político.
Antes dessas viagens, o senador esteve nos Estados Unidos, onde visitou o irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Ainda segundo informações, ele tentou agendar encontros com integrantes da alta cúpula do governo norte-americano, mas não obteve êxito.
Seguindo os passos do pai
- Quando era candidato, em 2018, Jair Bolsonaro fez um caminho parecido. Ele também realizou viagens, em especial aos Estados Unidos, e percorreu cidades como Flórida, Massachusetts, Nova York e Washington, entre outros locais estratégicos, em busca de apoio.
- Assim como Flávio, ele se reuniu com ativistas de extrema-direita brasileiros nos EUA, com o intuito de se fortalecer no eleitorado conservador.
A tentativa de se aproximar de líderes de direita ao redor do mundo não é à toa. Flávio tenta se cacifar internacionalmente e garantir apoios externos para sua candidatura, em especial junto a figuras mais conservadoras e religiosas.
Flávio repete outras táticas de Bolsonaro em 2018
Desde que anunciou sua pré-candidatura à Presidência da República, em dezembro de 2025, Flávio Bolsonaro vem adotando estratégias semelhantes às utilizadas por seu pai, Jair Bolsonaro, na tentativa de se firmar no cenário político nacional. A decisão de concorrer ao Planalto ocorreu após aval do ex-presidente, que o apontou publicamente como sucessor.
Em encontros recentes com empresários e representantes do mercado financeiro, o senador tem sinalizado que pretende divulgar, ainda durante a campanha, os nomes que indicaria para ministérios em um eventual governo. A estratégia busca transmitir previsibilidade e confiança ao eleitorado e aos agentes econômicos.
Entre as áreas prioritárias, Flávio afirmou que estuda indicar para o Ministério da Fazenda nomes alinhados ao perfil do ex-ministro da Economia Paulo Guedes, repetindo uma prática adotada por Bolsonaro quando disputou a Presidência.
Paralelamente às agendas econômicas, o pré-candidato também tem intensificado visitas a igrejas, ampliando sua presença em espaços religiosos e reforçando o diálogo com esse segmento do eleitorado.
Nos discursos, Flávio Bolsonaro tem adotado um tom mais contundente, em linha com a retórica utilizada pelo pai, apostando em uma comunicação direta e ideológica como forma de mobilizar apoiadores.


