Nesta quinta-feira (14), Lula inverteu o tom diplomático ao elogiar o Mais Médicos e disparar críticas contra os Estados Unidos, que decidiram cancelar os vistos de servidores brasileiros ligados ao programa, iniciativa que, em sua origem, contou com a participação de profissionais cubanos.
O governo dos Estados Unidos, por meio do secretário de Estado Marco Rubio, anunciou, na quarta-feira (14), o cancelamento dos vistos de Mozart Julio Tabosa Sales, secretário de Atenção Especializada à Saúde, e de Alberto Kleiman, atual coordenador-geral da COP 30 e ex-assessor de Relações Internacionais do Ministério da Saúde.
Durante a inauguração de dois blocos de produção de medicamentos hemoderivados da Hemobrás, em Goiana (PE), Lula comentou as sanções impostas pelos Estados Unidos e aproveitou para destacar o Mais Médicos. O presidente relembrou que o programa nasceu para suprir áreas carentes de atendimento no Brasil, sofreu alterações e mudança de nome no governo Jair Bolsonaro e, agora, em seu terceiro mandato, foi ampliado.
Entre 2013 e 2018, profissionais cubanos integraram o Mais Médicos por meio de um acordo mediado pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas).
A iniciativa fazia parte de um amplo programa de cooperação que Cuba mantém desde os anos 1960, responsável por enviar, ao longo de mais de seis décadas, mais de 605 mil médicos para atuar em 165 países. Segundo o Ministério da Saúde cubano, na lista de nações atendidas estão Portugal, Ucrânia, Rússia, Espanha, Argélia e Chile.
Há mais de sessenta anos, Cuba enfrenta um rígido bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos, medida criada para pressionar a substituição do regime político instalado após a Revolução de 1959.
No segundo mandato de Donald Trump, essa ofensiva ganhou um novo capítulo: a tentativa de constranger nações que contratam médicos cubanos.